sexta-feira, 21 de novembro de 2014

CINEMA: ARTE E TÉCNICAS

Em clima de Edição de Imagens, vamos falar um pouco de cinema?


O cinema é considerado a sétima arte e realmente tem filmes que são verdadeiras obras que nos emocionam, modificam nosso humor e até mesmo, transformam nosso modo de ver a vida!
Quando o cinema surgiu, era somente fotografias paradas, depois veio a evolução com as tecnologias e com estas, as teorias do que veria a ser cinema. Tudo que é novo, toda a modificação vem munida de dúvidas e no cinema não foi diferente.
Teóricos como Hugo Munsterberg, Sergei Eisenstein, seigfried Kracauer, André Bazin, entre outros, nos deixaram importantes estudos na formação cinematográfica.
No livro As Principais Teorias do Cinema, Uma Introdução de J. Dudley Andrew, editora do Rio de Janeiro, Jorge Zahar, edição 2002; a introdução inicial do texto questiona, o que é teoria do cinema e o que fazemos em teoria do cinema? E então aborda se o conhecimento sobre o assunto atrapalharia a experiência do cinema.
“Em qualquer campo o conhecimento pode enfraquecer a experiência, se o conhecedor o deixar. Mas isso não é necessário, pois o conhecimento deveria ser relacionado à experiência em vez de um substituo dela” (Andrew 2002, p. 14).
Assim nos é esclarecido que, a teoria do cinema se preocupa com o geral, com a capacidade cinemática do cinema, governando tanto os cineastas como os espectadores:

A teoria do cinema é outra avenida da ciência e, como tal, está preocupada com o geral em vez de com o particular. Não está preocupada basicamente com filmes ou técnicas individuais, mas com o que pode ser chamado de a própria capacidade cinemática. Essa capacidade governa tanto os cineastas como os espectadores. Enquanto cada filme é um sistema de significados que o crítico de cinema tenta desvendar, todos os filmes juntos formam um sistema (cinema) com subsistemas (vários gêneros e outros tipos de grupos) suscetíveis de análise pelo teórico. (Andrew 2002, p.14)

Portanto para entendermos cinema, temos que estudar tudo o que está envolvido no processo, desde a roteirização, direção, atuação, até o ambiente e a tecnologia envolvida.
Dentro disso, para formar uma estrutura de compreensão entre os teóricos, uma boa prática é categorizar em títulos, como no livro citado acima Matéria-Prima, Métodos e Técnicas, Formas e Modelos, Objetivo ou Valor. Essas categorias, segundo a introdução do livro referente, “dividem o fenômeno do cinema em aspectos que o compõem e que podem ser examinados”(Andrew 2002, p. 16).
Partindo do princípio de que os Métodos e Técnicas de cinema, “compreendem todas as perguntas sobre o processo criativo que dá forma ou trata a matéria-prima, indo das discussões sobre os desenvolvimentos tecnológicos...à psicologia do cineasta ou mesmo à economia da produção cinematográfica”. (Andrew 2002, p. 16); podemos concluir que a edição de vídeo é uma peça importante para todo este contexto.
A edição de foto e vídeo, veio com a tecnologias oferecidas ao cinema, e que muitas vezes, foi criticada por modificar a fotografia ou até mesmo distorcer os fatos. Mas também, vamos encontrar teorias significativas que podem orientar a designar e categorizar muitos filmes.
Dividida em dois formatos, Realista e Formalista, muitos foram os teóricos que analisaram a edição e os classificaram dentre essas.
A teoria realista, é construída na base de que o imaginário tem que estar ligado o máximo possível com o mundo real, com a realidade do mundo, no intuito de mostrar a vida como ela é.

O realismo reivindica a construção de um mundo imaginário que produz um forte efeito de real, mas procura também, e contraditoriamente, recuperar uma certa capacidade de idealidade, para dizer alguma coisa sobre o real, e não apenas sobre a realidade momentânea. (Aumont 2003, p.253)

Alguns teóricos como Vertov, Rotha e Vigo, afirmavam que o cinema realista, não deveria competir com o entretenimento, ter uma alternativa absoluta e ter um cunho politico social , “um cinema com uma consciência verdadeira tanto para a nossa percepção cotidiana da vida como para com a nossa situação social”. (Andrew 2002, p.92).
E até hoje podemos observar que as teorias do documentários utilizam essa ligação entre as estética da percepção e a ética preocupada com o social.
O formalismo está ligado completamente com a arte. A arte de usar as técnicas para criar cinema. As propriedades técnicas, envolvem, a montagem, o primeiro plano, a distorção da lente, os efeitos ópticos e tantos outros
A teoria formalista submerge as técnicas utilizadas para a montagem pois só assim, para os teóricos formalistas, o cinema poderia arrancar dos objetos, da natureza, enfim, da vida,  a sua total plenitude e não somente o significado, o objto em si.

A arte nunca foi uma questão de conteúdo significativo, inspiração, imaginação ou o que quer que seja que as pessoas tenham colocado no cerne da atividade artística. Era precisamente a técnica, isto é, a percepção, o trabalho e o talento puro que podem pegar o objeto ou atividade e arrancá-lo do fluxo vital. (Andrew 2002, p.76)


O fato é que não podemos simplesmente, taxar um filme de formalista ou realista, mas entendermos os movimentos e os teóricos nos da base para começarmos a entender mais o que é cinema.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

BÁRBARA DAMÁSIO FAZ SHOW DE LANÇAMENTO DO DVD “VOCÊ É MESMO ESSA FLOR” PELA PRIMEIRA LEI DE INCENTIVO A CULTURA DE BAL.CAMBORIÚ-SC

Queridos Codornetes!
Hoje tenho um recadinho para vocês:



LANÇAMENTO DO DVD “VOCÊ É MESMO ESSA FLOR”
Bárbara Damásio realiza show de lançamento do DVD “Você é mesmo essa flor” dia 02 de novembro no Teatro Municipal Bruno Nitz em Balneário Camboriú

        Com o patrocínio da Primeira Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Balneário Camboriú, Bárbara Damásio acompanhada dos músicos Arnou de Melo (contra baixo), Edilson Forte Tatu (piano) e Willian Goe (bateria) trazem ao palco do Municipal o show de lançamento do DVD “Você é mesmo essa flor”.
            Gravado com recursos do Edital Estadual Elisabete Anderle “Você é mesmo essa flor” é o primeiro registro em DVD da trajetória da artista. Com direção geral de Lallo Bocchino (Pangéia Documentários) e direção artística da própria cantora, traz em seu repertório músicas de compositores catarinenses e revela o potencial técnico e interpretativo de Bárbara Damásio. O DVD contou ainda com a participação especial da Diva Elza Soares e dos instrumentistas Guinha Ramirez e Rubens Azevedo.
            Bárbara celebra o lançamento deste trabalho através da Lei de Incentivo à Cultura de Balnéario Camboriú: “Me sinto muito honrada em participar do primeiro edital da Lei de Incentivo à Cultura de BC, é um momento histórico para os artistas e produtores culturais da nossa cidade.” comenta.
            O show de lançamento traz os convidados especiais Jean Mafra, cantor e compositor que assina a canção “Bárbara” dedicada à cantora, o saxofonista Rubens Azevedo e Rafaelo de Góes violonista e compositor da música “Você é mesmo essa flor” que dá nome ao DVD.
Sobre a cantora:
            Natural de Itajaí reside em Balneário Camboriú há 27 anos. Tem forte relação de identidade com a cidade, em especial com o Bairro da Barra, onde passou sua infância na convivência de seus avós, a professora Odácia Tereza Damásio e o pescador Pedro Tomaz Damásio. Nasceu em 08 de janeiro de 1987. É formada em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Itajaí e acadêmica dos cursos de Licenciatura em Música e Pós Graduação em Música da mesma Universidade.
             Um importante momento na trajetória de Bárbara foi em 2006, durante o 9° Festival de Música de Itajaí, quando foi convidada para abrir o show da cantora Leny Andrade, conhecida no mundo todo como a primeira dama do Jazz. Outro momento marcante foi quando produziu e apresentou no Teatro Municipal de Itajaí o show "Bárbara canta Chico", sucesso de público e de crítica. Bárbara é apresentadora e produtora do programa de entrevistas “Conversa Improvisada” na Rádio Univali FM 94,9. Também ministra oficinas de musicalização infantil e técnica/expressão vocal em escolas e espaços culturais da região.
Sobre os músicos:
Arnou de Melo é músico contrabaixista, compositor e produtor musical. Formado pelo BIT – Bass Institute of Technology do MI – Musicians Institute de Los Angeles, Califórnia, onde recebeu o prêmio de “Outstanding Student of the Year” em 1990. Músico há mais de 40 anos, já dividiu o palco com importantes nomes da música brasileira. É proprietário do estúdio de gravação (Porta Voz Estúdios) em Itajaí. Foi diretor do Conservatório de Música de Itajaí e diretor musical do FEMIC – Festival da Música e Integração Catarinense. Em 2009 gravou o seu primeiro CD solo intitulado “Fantasia”.
Edilson Forte (Tatu)
Natural de São Paulo é formado pelo Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos - Tatuí/SP no curso de MPB/Jazz. Reside em SC há seis anos. Foi diretor musical dos Shows do Parque Beto Carreiro World. É professor no Conservatório Belas Artes de Joinville desde 2009 onde ministra aulas de Piano, Teoria Musical e Prática de Conjunto. Trabalhou em Transatlânticos por quatro anos e meio, atuando como diretor musical, tecladista e pianista em quatro temporadas na Europa.
Willian Goe
Natural de Itajaí. Baterista, percussionista, produtor musical e professor de música. É Bacharel em Direito pela Universidade do Vale do Itajaí – (UNIVALI). Formado em Licenciatura em Música e Bacharelado em Bateria e Percussão pela mesma Universidade. Atua como baterista e diretor musical da cantora Bárbara Damásio desde 2006, É integrante de importantes grupos de música instrumental da região como: Onda Jazz, Arnou de Melo Trio, Pimenta Buena, Ricardo Capraro Quarteto e PercuSax/Banda de Rua.
FICHA TÉCNICA: Show de lançamento do DVD “Você é mesmo essa flor”
Patrocínio: Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Balneário Camboriú
Apoio: Bar ZéPelin, Rádio Univali FM 94,9

Músicos:
Arnou de Melo (contra baixo), Edilson Forte Tatu (piano), Willian Goe (bateria)
Convidados Especiais: Jean Mafra, Rafaelo de Góes e Rubens Azevedo


Direção artística: Bárbara Damásio
Direção Musical e Arranjos: Arnou de Melo e Willian Goe
Produção: Pedro Damásio
Assistentes de Produção: Codorna Arte & Cultura Milena Machado e Daniel Vasconcelos
Produção Executiva: Andrea Wolff
Assessoria de Imprensa/FCBC: Vânia de Campos
Locução de Abertura: Jônata Gonçalves
Assistente de Palco: Ricardo Dominguez
Projeto Gráfico: Beatriz Moraes
Fotografia: Antonio Rossa
Vídeo: Lallo Bocchino
Técnico de Áudio: Adilson Silva
Sonorização e Iluminação: Silvestre Som
Cenário: Ryana Gabech, Rafael Palilo e Giorgio Filomeno
Figurino: Lélia de Melo
Cabelo e Maquiagem: Andréia Sandri

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Arte, Cultura & Música: O Samba é o Brasil

Nesta semana, "Cordonetes" (Agora chamarei vocês assim - hehehe - Posso?), recebi um convite muito especial, ser assistente de produção no show de lançamento do DVD da Bárbara Damásio:"Você é mesmo essa Flor" . Claro que fiquei muito honrado em participar deste projeto que conta com a voz sempre maravilhosa da grande amiga Catarinense e de músicos como Arnou de de Melo (contra baixo), Edilson Fonte Tatu (piano) e Willian Goe (bateria), porém fiquei feliz em saber que tudo isso foi patrocinado pela 1ª LEI DE INCENTIVO A CULTURA DE BAL. CAMBORIÚ-SC. 
Então, como fonte de inspiração e de um certo "achismo" de fazer uma pequena parte desta história, que vai acontecer dia 2 de novembro no Teatro Municipal Bruno Nitz em Bal.Camboriú as 20 horas e (mais lindo ainda) com entrada franca (a música é para todos); fiz um texto que reelembra a história do Samba no nosso Brasil, como começou esse ritmo e como ele tornou-se importante e até mesmo identidade cultural do nosso país.

"Bora ler mais uma Cornonice" !!!!



No final do século XIX, negros e mulatos já se reuniam ao som do samba, descendente direto dos ritmos africanos. Discriminados social e racialmente pela música alegre, eles procuravam escapar das desigualdades e do preconceito.
O modelo econômico no qual o Brasil esteve inserido desde meados do séc. XVI até finais do séc. XIX tinha como elementos fundamentais, de sua lógica estrutural, a exploração da mão de obra escrava, a agro-economia e a exportação.
Para suprir as demandas do nascente capitalismo europeu no período colonial um processo triangular (Europa – África – Brasil – Europa) de obtenção de mão de obra para exploração e produção de bens com alto valor de exportação (pau-brasil – açúcar – café), foi implementado, trazendo grandes contingentes de africanos que se fixaram nestas terras.
Na segunda metade do séc. XIX, no ano de 1888 o regime escravista no Brasil chegava ao fim, pondo na rua milhões de negros, para se virarem da forma que pudessem, migrando de todo o país  para o Rio de Janeiro, capital do império.
A partir de meados de 1915, sambistas como Marçal, Pixinguinha, Ismael Silva, Bidê, Donga, Elói e Nilton Bastos conseguiram consolidar o chamado "samba de morro". O primeiro samba, Pelo Telefone, de Donga, foi gravado em 1917. Em 1928 foi criada a primeira Escola de Samba do Brasil, a Deixa Falar. Os sambistas já não eram perseguidos pela polícia nem considerados baderneiros. (HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL, VOLUME 4)
O novo regime político buscava exibir os avanços políticos e a modernidade do país e para tanto, nos primeiros anos do século XX põe em prática um empreendimento grandioso, reestruturar a cidade do Rio de Janeiro.
Para tanto, milhares de moradias pobres, conhecidas como cortiços, são postas a baixo e seus habitantes (maioria negros, ex-escravos ou filhos de escravos) na rua, estes recorrem como ultima alternativa aos morros da cidade, onde constroem suas novas moradias.
Nestes ambientes os negros do morro criavam musicas com os conhecimentos e instrumentos disponíveis, tornando tal estilo extremamente popular em suas comunidades através da mistura de estilos e do ritmo africano, o samba nascia assim, como forma de expressão artística popular destas comunidades excluídas e desamparadas e mal vistas pela dita sociedade de bem.
Neste âmbito cria-se  a primeira composição classificada como, samba a alcançar o sucesso, "Pelo Telefone" marca o início do reinado da canção carnavalesca. É a partir de sua popularização que o carnaval ganha música própria e o samba começa a se fixar como gênero musical.
 A revolução de 30 põe fim ao sistema oligárquico da primeira república e instaura o que viria a ser chamado de “estado novo” ao assumir o poder Getúlio Vargas.
Cria-se a imagem do malandro do morro, sujeito perigoso, ao qual a polícia deveria reprimir.
O samba nesta nova era se transforma e suas letras começam a falar de trabalho e lealdade, passando a partir de então, a ser considerado como uma importante peça na campanha de Getúlio.
A fim de criar o que seria a identidade nacional oficial, uma passagem que nos mostra bem como a mídia, alinhada ao projeto governamental, incentivou este “novo samba” limpo e seguro:
 “...foi Roberto Marinho, então diretor do jornal O Globo, quem patrocinou o desfile das escolas de samba na cidade, quatro anos depois do inicio desta tradição em 1932 .” (CUNHA,2004,p.302)
O objetivo era claro, patrocinar e incentivar o samba, e desta forma, colocar em segundo plano, as diferenças culturais das diversas regiões do país, criando o sentimento de patriotismo.
Sendo assim, a ideia de criar uma identidade, de mostrar o que é o Brasil, ao definir o samba como o som característico na nação, o transforma em som do Brasil, com o mesmo reconhecimento interno e externo que a Bossa Nova teria em um futuro próximo.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CUNHA, Fabiana Lopes da. Da marginalidade ao estrelato: o samba na construção da nacionalidade (1917 – 1945). São Paulo: Annablume, 2004

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL (VOLUME 4) - Contrastes da intimidade contemporânea

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Cultura: Um conceito antropológico




Para começar a desenvolver o nosso projeto Codorna Arte & Cultura, resolvemos incluir um blog para termos mais contato com vocês. Assim discutiremos, aprenderemos e praticaremos conceitos que abrange a Arte e a Cultura.
Fui “tentado” por minha namorado para produzir um texto que resgate o principio teórico  sobre noções de cultura.
Bom, em uma dessas noites que a gente não dorme, consegui ler o livro “Cultura: um conceito antropológico” de Roque Laraia, no qual extraí o conceito sobre cultura de três antropólogos, sendo eles:  Edward Tylor, Franz Boas e Leslie White.
E de quebra, lá pelas 4 da matina, meus olhos percorreram o artigo de Eduardo Melander Filho, A Cultura Segundo Edward B. Tylor e Franz Boas.
As ideias fluíram e veio na cabeça um fato que ocorreu na década de 20, entre dois políticos itajaienses que apresentaram uma emenda na Câmara de Vereadores, fato este que comento neste texto, logo a seguir após uma breve discussão sobre os conceitos de cultura  
Enfim, “bora “ler?

CULTURA: Um conceito antropológico
A CULTURA é fundamental para a compreensão de diversos valores morais e éticos que guiam nosso comportamento social, quem nunca perguntou, ou algum dia já foi questionado, sobre o que é “a tal da cultura”?
Principalmente para nós brasileiros que vivemos em um país onde a variedade da exuberância cultural é a principal caracteristica nosso povo. 
Bom, seria se todos tivessem uma idéia concebida sobre o que venha a ser esse fenômeno tão expressivo e característico da nossa gente e de todos os povos da terra.
O Princípio Evolucionista Unilinear.
O primeiro conceito de cultura seguiu de Edward Burnett Tylor, no primeiro parágrafo de seu livro Primitive Culture (1871).
“um todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade.” ( LARAIA, 1986, p. 25).
Tylor defendia que diversidade cultural era o “resultado da desigualdade dos estágios evolutivos de cada sociedade”. Desta forma, seria à antropologia a ciência que teria a tarefa de estabelecer uma escala civilizatória com dois extremos: um representado pelas sociedades européias; e o outro pelas comunidades periféricas, ficando claro o princípio evolucionista unilinear.
Eduardo Melander Filho* Historiador, diz:
“Tylor postulava que entre primitivos e civilizados não havia uma diferença de natureza, mas de grau de avanço no caminho da cultura. Considerava também, em certos casos, a hipótese de fusionista (que a partir de um povo determinada invenção se expandia aos outros através do contato cultural) como explicação da similaridade entre traços culturais de duas sociedades, significando que, na possibilidade de difusão, as mesmas não estariam na mesma escala de evolução.”
Neste sentido, a antropologia daria o maior exemplo de etnocentrismo, institucionalizada pela própria ciência, tal tendência que é responsável em seu caso mais extremo pela ocorrência de numerosos conflitos sociais. Conflitos esses que chegam a criar polêmicas em algumas tentativas de impor leis com O cunho deracismo científico", como no caso  ocorrido em Itajaí-SC no séc. XX
Na década de 1920, num momento em que a ideologia do "racismo científico" era bastante aceita, explicava o caráter nacional, em virtude das raças que formavam o Brasil. Era considerado científico porque foi produzido pela antropologia e pela sociologia, isto é, pelas ciências do século XIX.
Embasado nestas ideologias, os senhores Andrade Bezerra e Cincinato Braga apresentaram a câmara um projeto que proibia a imigração de indivíduos da raça negra no Brasil. (coluna editada no Jornal Pharol dia 13 de agosto de 1921, na cidade de Itajaí). Material preservado no Arquivo Histórico de Itajaí, Fundação Genésio Miranda Lins.
Muitos  antropólogos questionaram tal conceito, entre esses pensadores, Franz Boas, que no começo do século XX iniciou uma crítica às teorias que defendiam a existência de uma hierarquia entre culturas.

Sistema adaptativo de Leslie White
Segundo sistema adaptativo de Leslie White nos diz Laraia, que alguns antropólogos concordam que “culturas são sistemas de padrões de comportamento que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos. (...)” (LARAIA, 1986, p. 59).
Essas teorias eram chamadas evolucionistas pela influência da obra de Charles Darwin, defendiam que:
 “todas as culturas passavam pelas mesmas etapas, ou estágios, durante sua existência, evoluindo, progredindo das mais primitivas para as mais avançadas ao longo do tempo, sendo que o estágio mais avançado da humanidade era o atingido pelo Ocidente, visão que dava ao etnocentrismo status de ciência”. (SILVA E SILVA, 2006)

Podemos perceber que entre as várias tentativas de definição de um conceito sobre cultura, embora se diferenciem, vemos que em alguns pontos, eles não se contrapõem. Mesmo com o conceito das diferenças, como no caso da idéia evolucionista unilinear de Tylor.
Ao ler tais conceitos, vocês podem até achar que isso tudo se acomoda no campo teórico somente, no entanto pode-se enumerar algumas práticas tais como: no mais gritante dos fatos como no caso do Holocausto da Segunda Guerra mundial ou na discriminação social das minorias.


*Historiador de formação, tem atuação nas áreas de História, Arqueologia, Educação e Museologia. É Bacharel pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, com Licenciatura Plena pela Faculdade de Educação da mesma Universidade. Lecionou História, Geografia, Antropologia e Filosofia, como Professor da rede pública e privada brasileira. Estagiou no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, trabalhando em pesquisas arqueológicas relacionadas aos estudos da Indústria Lítica pré-histórica do Brasil. É ,também, membro pesquisador do Grupo de Pesquisa História e Economia Mundial Contemporânea-FFLCH/USP-CNPQ, cujas pesquisas estão associadas ao Grupo de Trabalho Estudos de História Contemporânea-ANPUH. Atualmente mantém vínculos profissionais com a Foccus - Núcleo de Psicologia Aplicada, onde presta serviços de assessoria em História e Antropologia, realizando trabalhos de campo no Brasil e Angola.




FONTES:
Laraia, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Zahar. Rio de Janeiro, ed. 1986.
MELANDER FILHO, Eduardo. A Cultura Segundo Edward B. Tylor e Franz Boas. Gazeta de Interlagos, São Paulo, História, p. 2.
In: Dicionário de Conceitos Históricos - Kalina Vanderlei Silva e Maciel Henrique Silva – Ed. Contexto – São Paulo; 2006
Jornal O PHAROL dia 13 de agosto de 1921, ano VI nº105