quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Cultura: Um conceito antropológico




Para começar a desenvolver o nosso projeto Codorna Arte & Cultura, resolvemos incluir um blog para termos mais contato com vocês. Assim discutiremos, aprenderemos e praticaremos conceitos que abrange a Arte e a Cultura.
Fui “tentado” por minha namorado para produzir um texto que resgate o principio teórico  sobre noções de cultura.
Bom, em uma dessas noites que a gente não dorme, consegui ler o livro “Cultura: um conceito antropológico” de Roque Laraia, no qual extraí o conceito sobre cultura de três antropólogos, sendo eles:  Edward Tylor, Franz Boas e Leslie White.
E de quebra, lá pelas 4 da matina, meus olhos percorreram o artigo de Eduardo Melander Filho, A Cultura Segundo Edward B. Tylor e Franz Boas.
As ideias fluíram e veio na cabeça um fato que ocorreu na década de 20, entre dois políticos itajaienses que apresentaram uma emenda na Câmara de Vereadores, fato este que comento neste texto, logo a seguir após uma breve discussão sobre os conceitos de cultura  
Enfim, “bora “ler?

CULTURA: Um conceito antropológico
A CULTURA é fundamental para a compreensão de diversos valores morais e éticos que guiam nosso comportamento social, quem nunca perguntou, ou algum dia já foi questionado, sobre o que é “a tal da cultura”?
Principalmente para nós brasileiros que vivemos em um país onde a variedade da exuberância cultural é a principal caracteristica nosso povo. 
Bom, seria se todos tivessem uma idéia concebida sobre o que venha a ser esse fenômeno tão expressivo e característico da nossa gente e de todos os povos da terra.
O Princípio Evolucionista Unilinear.
O primeiro conceito de cultura seguiu de Edward Burnett Tylor, no primeiro parágrafo de seu livro Primitive Culture (1871).
“um todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade.” ( LARAIA, 1986, p. 25).
Tylor defendia que diversidade cultural era o “resultado da desigualdade dos estágios evolutivos de cada sociedade”. Desta forma, seria à antropologia a ciência que teria a tarefa de estabelecer uma escala civilizatória com dois extremos: um representado pelas sociedades européias; e o outro pelas comunidades periféricas, ficando claro o princípio evolucionista unilinear.
Eduardo Melander Filho* Historiador, diz:
“Tylor postulava que entre primitivos e civilizados não havia uma diferença de natureza, mas de grau de avanço no caminho da cultura. Considerava também, em certos casos, a hipótese de fusionista (que a partir de um povo determinada invenção se expandia aos outros através do contato cultural) como explicação da similaridade entre traços culturais de duas sociedades, significando que, na possibilidade de difusão, as mesmas não estariam na mesma escala de evolução.”
Neste sentido, a antropologia daria o maior exemplo de etnocentrismo, institucionalizada pela própria ciência, tal tendência que é responsável em seu caso mais extremo pela ocorrência de numerosos conflitos sociais. Conflitos esses que chegam a criar polêmicas em algumas tentativas de impor leis com O cunho deracismo científico", como no caso  ocorrido em Itajaí-SC no séc. XX
Na década de 1920, num momento em que a ideologia do "racismo científico" era bastante aceita, explicava o caráter nacional, em virtude das raças que formavam o Brasil. Era considerado científico porque foi produzido pela antropologia e pela sociologia, isto é, pelas ciências do século XIX.
Embasado nestas ideologias, os senhores Andrade Bezerra e Cincinato Braga apresentaram a câmara um projeto que proibia a imigração de indivíduos da raça negra no Brasil. (coluna editada no Jornal Pharol dia 13 de agosto de 1921, na cidade de Itajaí). Material preservado no Arquivo Histórico de Itajaí, Fundação Genésio Miranda Lins.
Muitos  antropólogos questionaram tal conceito, entre esses pensadores, Franz Boas, que no começo do século XX iniciou uma crítica às teorias que defendiam a existência de uma hierarquia entre culturas.

Sistema adaptativo de Leslie White
Segundo sistema adaptativo de Leslie White nos diz Laraia, que alguns antropólogos concordam que “culturas são sistemas de padrões de comportamento que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos. (...)” (LARAIA, 1986, p. 59).
Essas teorias eram chamadas evolucionistas pela influência da obra de Charles Darwin, defendiam que:
 “todas as culturas passavam pelas mesmas etapas, ou estágios, durante sua existência, evoluindo, progredindo das mais primitivas para as mais avançadas ao longo do tempo, sendo que o estágio mais avançado da humanidade era o atingido pelo Ocidente, visão que dava ao etnocentrismo status de ciência”. (SILVA E SILVA, 2006)

Podemos perceber que entre as várias tentativas de definição de um conceito sobre cultura, embora se diferenciem, vemos que em alguns pontos, eles não se contrapõem. Mesmo com o conceito das diferenças, como no caso da idéia evolucionista unilinear de Tylor.
Ao ler tais conceitos, vocês podem até achar que isso tudo se acomoda no campo teórico somente, no entanto pode-se enumerar algumas práticas tais como: no mais gritante dos fatos como no caso do Holocausto da Segunda Guerra mundial ou na discriminação social das minorias.


*Historiador de formação, tem atuação nas áreas de História, Arqueologia, Educação e Museologia. É Bacharel pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, com Licenciatura Plena pela Faculdade de Educação da mesma Universidade. Lecionou História, Geografia, Antropologia e Filosofia, como Professor da rede pública e privada brasileira. Estagiou no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, trabalhando em pesquisas arqueológicas relacionadas aos estudos da Indústria Lítica pré-histórica do Brasil. É ,também, membro pesquisador do Grupo de Pesquisa História e Economia Mundial Contemporânea-FFLCH/USP-CNPQ, cujas pesquisas estão associadas ao Grupo de Trabalho Estudos de História Contemporânea-ANPUH. Atualmente mantém vínculos profissionais com a Foccus - Núcleo de Psicologia Aplicada, onde presta serviços de assessoria em História e Antropologia, realizando trabalhos de campo no Brasil e Angola.




FONTES:
Laraia, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Zahar. Rio de Janeiro, ed. 1986.
MELANDER FILHO, Eduardo. A Cultura Segundo Edward B. Tylor e Franz Boas. Gazeta de Interlagos, São Paulo, História, p. 2.
In: Dicionário de Conceitos Históricos - Kalina Vanderlei Silva e Maciel Henrique Silva – Ed. Contexto – São Paulo; 2006
Jornal O PHAROL dia 13 de agosto de 1921, ano VI nº105


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