Para começar a
desenvolver o nosso projeto Codorna Arte & Cultura, resolvemos incluir um
blog para termos mais contato com vocês. Assim discutiremos, aprenderemos e
praticaremos conceitos que abrange a Arte e a Cultura.
Fui “tentado” por minha
namorado para produzir um texto que resgate o principio teórico sobre noções de cultura.
Bom, em uma dessas noites
que a gente não dorme, consegui ler o livro “Cultura: um conceito
antropológico” de Roque Laraia, no qual extraí o conceito sobre cultura de três
antropólogos, sendo eles: Edward Tylor,
Franz Boas e Leslie White.
E de quebra, lá pelas 4
da matina, meus olhos percorreram o artigo de Eduardo
Melander Filho, A Cultura Segundo Edward B. Tylor e Franz Boas.
As ideias fluíram e veio
na cabeça um fato que ocorreu na década de 20, entre dois políticos itajaienses
que apresentaram uma emenda na Câmara de Vereadores, fato este que comento
neste texto, logo a seguir após uma breve discussão sobre os conceitos de
cultura
Enfim, “bora “ler?
CULTURA: Um conceito antropológico
A CULTURA é fundamental
para a compreensão de diversos valores morais e éticos que guiam nosso
comportamento social, quem nunca perguntou, ou algum dia já foi questionado,
sobre o que é “a tal da cultura”?
Principalmente para nós
brasileiros que vivemos em um país onde a variedade da exuberância cultural é a
principal caracteristica nosso povo.
Bom, seria se todos
tivessem uma idéia concebida sobre o que venha a ser esse fenômeno tão
expressivo e característico da nossa gente e de todos os povos da terra.
O Princípio
Evolucionista Unilinear.
O primeiro conceito de
cultura seguiu de Edward Burnett Tylor, no primeiro parágrafo de
seu livro Primitive Culture (1871).
“um todo complexo que
inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra
capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade.” ( LARAIA,
1986, p. 25).
Tylor defendia que diversidade cultural era o “resultado da desigualdade dos estágios evolutivos de cada sociedade”. Desta forma, seria à antropologia a ciência que
teria a tarefa de estabelecer uma escala civilizatória com dois extremos: um
representado pelas sociedades européias; e o outro pelas comunidades
periféricas, ficando claro o princípio evolucionista unilinear.
Eduardo Melander
Filho* Historiador, diz:
“Tylor postulava que entre primitivos e civilizados não havia uma
diferença de natureza, mas de grau de avanço no caminho da cultura. Considerava
também, em certos casos, a hipótese de fusionista (que a partir de um povo
determinada invenção se expandia aos outros através do contato cultural) como
explicação da similaridade entre traços culturais de duas sociedades,
significando que, na possibilidade de difusão, as mesmas não estariam na mesma
escala de evolução.”
Neste sentido, a antropologia daria o maior exemplo
de etnocentrismo, institucionalizada pela própria ciência, tal tendência que é
responsável em seu caso mais extremo pela ocorrência de numerosos conflitos
sociais. Conflitos esses que chegam a criar polêmicas em algumas tentativas de
impor leis com O cunho de “racismo científico", como no caso ocorrido em Itajaí-SC no séc. XX
Na década de 1920, num momento em que a ideologia do
"racismo científico" era bastante aceita, explicava o caráter
nacional, em virtude das raças que formavam o Brasil. Era considerado
científico porque foi produzido pela antropologia e pela sociologia, isto é,
pelas ciências do século XIX.
Embasado nestas ideologias, os senhores Andrade Bezerra e Cincinato
Braga apresentaram a câmara um projeto que proibia a imigração de indivíduos da
raça negra no Brasil. (coluna editada no Jornal Pharol dia 13 de agosto de
1921, na cidade de Itajaí). Material preservado no Arquivo Histórico de Itajaí,
Fundação Genésio Miranda Lins.
Muitos antropólogos questionaram
tal conceito, entre esses pensadores, Franz Boas, que no começo do século XX
iniciou uma crítica às teorias que defendiam a existência de uma hierarquia
entre culturas.
Sistema adaptativo de
Leslie White
Segundo sistema adaptativo de Leslie White nos diz
Laraia, que alguns antropólogos concordam que “culturas são sistemas de padrões
de comportamento que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus
embasamentos biológicos. (...)” (LARAIA, 1986, p. 59).
Essas teorias eram chamadas evolucionistas pela influência da obra de Charles
Darwin, defendiam que:
“todas as culturas passavam pelas
mesmas etapas, ou estágios, durante sua existência, evoluindo, progredindo das
mais primitivas para as mais avançadas ao longo do tempo, sendo que o estágio
mais avançado da humanidade era o atingido pelo Ocidente, visão que dava ao
etnocentrismo status de ciência”. (SILVA E SILVA, 2006)
Podemos perceber que entre as várias tentativas de
definição de um conceito sobre cultura, embora se diferenciem, vemos que em
alguns pontos, eles não se contrapõem. Mesmo com o conceito das diferenças,
como no caso da idéia evolucionista unilinear de Tylor.
Ao ler tais conceitos, vocês podem até achar que
isso tudo se acomoda no campo teórico somente, no entanto pode-se enumerar
algumas práticas tais como: no mais gritante dos fatos como no caso do
Holocausto da Segunda Guerra mundial ou na discriminação social das minorias.
*Historiador de formação, tem
atuação nas áreas de História, Arqueologia, Educação e Museologia. É Bacharel
pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São
Paulo, com Licenciatura Plena pela Faculdade de Educação da mesma Universidade.
Lecionou História, Geografia, Antropologia e Filosofia, como Professor da rede
pública e privada brasileira. Estagiou no Museu de Arqueologia e Etnologia da
USP, trabalhando em pesquisas arqueológicas relacionadas aos estudos da
Indústria Lítica pré-histórica do Brasil. É ,também, membro pesquisador do
Grupo de Pesquisa História e Economia Mundial Contemporânea-FFLCH/USP-CNPQ,
cujas pesquisas estão associadas ao Grupo de Trabalho Estudos de História
Contemporânea-ANPUH. Atualmente mantém vínculos profissionais com a Foccus -
Núcleo de Psicologia Aplicada, onde presta serviços de assessoria em História e
Antropologia, realizando trabalhos de campo no Brasil e Angola.
FONTES:
Laraia, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. Zahar. Rio de Janeiro, ed. 1986.
MELANDER FILHO, Eduardo. A Cultura Segundo Edward
B. Tylor e Franz Boas. Gazeta de Interlagos, São Paulo, História, p. 2.
In: Dicionário de Conceitos Históricos - Kalina
Vanderlei Silva e Maciel Henrique Silva – Ed. Contexto – São Paulo; 2006
Jornal O PHAROL dia 13 de agosto de 1921, ano VI nº105

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