quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Arte, Cultura & Música: O Samba é o Brasil

Nesta semana, "Cordonetes" (Agora chamarei vocês assim - hehehe - Posso?), recebi um convite muito especial, ser assistente de produção no show de lançamento do DVD da Bárbara Damásio:"Você é mesmo essa Flor" . Claro que fiquei muito honrado em participar deste projeto que conta com a voz sempre maravilhosa da grande amiga Catarinense e de músicos como Arnou de de Melo (contra baixo), Edilson Fonte Tatu (piano) e Willian Goe (bateria), porém fiquei feliz em saber que tudo isso foi patrocinado pela 1ª LEI DE INCENTIVO A CULTURA DE BAL. CAMBORIÚ-SC. 
Então, como fonte de inspiração e de um certo "achismo" de fazer uma pequena parte desta história, que vai acontecer dia 2 de novembro no Teatro Municipal Bruno Nitz em Bal.Camboriú as 20 horas e (mais lindo ainda) com entrada franca (a música é para todos); fiz um texto que reelembra a história do Samba no nosso Brasil, como começou esse ritmo e como ele tornou-se importante e até mesmo identidade cultural do nosso país.

"Bora ler mais uma Cornonice" !!!!



No final do século XIX, negros e mulatos já se reuniam ao som do samba, descendente direto dos ritmos africanos. Discriminados social e racialmente pela música alegre, eles procuravam escapar das desigualdades e do preconceito.
O modelo econômico no qual o Brasil esteve inserido desde meados do séc. XVI até finais do séc. XIX tinha como elementos fundamentais, de sua lógica estrutural, a exploração da mão de obra escrava, a agro-economia e a exportação.
Para suprir as demandas do nascente capitalismo europeu no período colonial um processo triangular (Europa – África – Brasil – Europa) de obtenção de mão de obra para exploração e produção de bens com alto valor de exportação (pau-brasil – açúcar – café), foi implementado, trazendo grandes contingentes de africanos que se fixaram nestas terras.
Na segunda metade do séc. XIX, no ano de 1888 o regime escravista no Brasil chegava ao fim, pondo na rua milhões de negros, para se virarem da forma que pudessem, migrando de todo o país  para o Rio de Janeiro, capital do império.
A partir de meados de 1915, sambistas como Marçal, Pixinguinha, Ismael Silva, Bidê, Donga, Elói e Nilton Bastos conseguiram consolidar o chamado "samba de morro". O primeiro samba, Pelo Telefone, de Donga, foi gravado em 1917. Em 1928 foi criada a primeira Escola de Samba do Brasil, a Deixa Falar. Os sambistas já não eram perseguidos pela polícia nem considerados baderneiros. (HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL, VOLUME 4)
O novo regime político buscava exibir os avanços políticos e a modernidade do país e para tanto, nos primeiros anos do século XX põe em prática um empreendimento grandioso, reestruturar a cidade do Rio de Janeiro.
Para tanto, milhares de moradias pobres, conhecidas como cortiços, são postas a baixo e seus habitantes (maioria negros, ex-escravos ou filhos de escravos) na rua, estes recorrem como ultima alternativa aos morros da cidade, onde constroem suas novas moradias.
Nestes ambientes os negros do morro criavam musicas com os conhecimentos e instrumentos disponíveis, tornando tal estilo extremamente popular em suas comunidades através da mistura de estilos e do ritmo africano, o samba nascia assim, como forma de expressão artística popular destas comunidades excluídas e desamparadas e mal vistas pela dita sociedade de bem.
Neste âmbito cria-se  a primeira composição classificada como, samba a alcançar o sucesso, "Pelo Telefone" marca o início do reinado da canção carnavalesca. É a partir de sua popularização que o carnaval ganha música própria e o samba começa a se fixar como gênero musical.
 A revolução de 30 põe fim ao sistema oligárquico da primeira república e instaura o que viria a ser chamado de “estado novo” ao assumir o poder Getúlio Vargas.
Cria-se a imagem do malandro do morro, sujeito perigoso, ao qual a polícia deveria reprimir.
O samba nesta nova era se transforma e suas letras começam a falar de trabalho e lealdade, passando a partir de então, a ser considerado como uma importante peça na campanha de Getúlio.
A fim de criar o que seria a identidade nacional oficial, uma passagem que nos mostra bem como a mídia, alinhada ao projeto governamental, incentivou este “novo samba” limpo e seguro:
 “...foi Roberto Marinho, então diretor do jornal O Globo, quem patrocinou o desfile das escolas de samba na cidade, quatro anos depois do inicio desta tradição em 1932 .” (CUNHA,2004,p.302)
O objetivo era claro, patrocinar e incentivar o samba, e desta forma, colocar em segundo plano, as diferenças culturais das diversas regiões do país, criando o sentimento de patriotismo.
Sendo assim, a ideia de criar uma identidade, de mostrar o que é o Brasil, ao definir o samba como o som característico na nação, o transforma em som do Brasil, com o mesmo reconhecimento interno e externo que a Bossa Nova teria em um futuro próximo.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CUNHA, Fabiana Lopes da. Da marginalidade ao estrelato: o samba na construção da nacionalidade (1917 – 1945). São Paulo: Annablume, 2004

HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL (VOLUME 4) - Contrastes da intimidade contemporânea

Nenhum comentário:

Postar um comentário