Nesta semana, "Cordonetes" (Agora chamarei vocês assim - hehehe - Posso?), recebi um convite muito especial, ser assistente de produção no show de lançamento do DVD da Bárbara Damásio:"Você é mesmo essa Flor" . Claro que fiquei muito honrado em participar deste projeto que conta com a voz sempre maravilhosa da grande amiga Catarinense e de músicos como Arnou de de Melo (contra baixo), Edilson Fonte Tatu (piano) e Willian Goe (bateria), porém fiquei feliz em saber que tudo isso foi patrocinado pela 1ª LEI DE INCENTIVO A CULTURA DE BAL. CAMBORIÚ-SC.
Então, como fonte de inspiração e de um certo "achismo" de fazer uma pequena parte desta história, que vai acontecer dia 2 de novembro no Teatro Municipal Bruno Nitz em Bal.Camboriú as 20 horas e (mais lindo ainda) com entrada franca (a música é para todos); fiz um texto que reelembra a história do Samba no nosso Brasil, como começou esse ritmo e como ele tornou-se importante e até mesmo identidade cultural do nosso país.
No final do século
XIX, negros e mulatos já se reuniam ao som do samba, descendente direto dos
ritmos africanos. Discriminados social e racialmente pela música alegre, eles
procuravam escapar das desigualdades e do preconceito.
O modelo econômico no
qual o Brasil esteve inserido desde meados do séc. XVI até finais do séc. XIX tinha
como elementos fundamentais, de sua lógica estrutural, a exploração da mão de
obra escrava, a agro-economia e a exportação.
Para suprir as
demandas do nascente capitalismo europeu no período colonial um processo
triangular (Europa – África – Brasil – Europa) de obtenção de mão de obra para
exploração e produção de bens com alto valor de exportação (pau-brasil – açúcar
– café), foi implementado, trazendo grandes contingentes de africanos que se
fixaram nestas terras.
Na segunda metade do
séc. XIX, no ano de 1888 o regime escravista no Brasil chegava ao fim, pondo na
rua milhões de negros, para se virarem da forma que pudessem, migrando de todo
o país para o Rio de Janeiro, capital do império.
A partir de meados de
1915, sambistas como Marçal, Pixinguinha, Ismael Silva, Bidê, Donga, Elói e
Nilton Bastos conseguiram consolidar o chamado "samba de morro". O
primeiro samba, Pelo Telefone, de Donga, foi gravado em 1917. Em 1928 foi
criada a primeira Escola de Samba do Brasil, a Deixa Falar. Os sambistas já não
eram perseguidos pela polícia nem considerados baderneiros. (HISTÓRIA DA VIDA
PRIVADA NO BRASIL, VOLUME 4)
O novo regime
político buscava exibir os avanços políticos e a modernidade do país e para tanto,
nos primeiros anos do século XX põe em prática um empreendimento grandioso,
reestruturar a cidade do Rio de Janeiro.
Para tanto, milhares
de moradias pobres, conhecidas como cortiços, são postas a baixo e seus
habitantes (maioria negros, ex-escravos ou filhos de escravos) na rua, estes
recorrem como ultima alternativa aos morros da cidade, onde constroem suas
novas moradias.
Nestes ambientes os
negros do morro criavam musicas com os conhecimentos e instrumentos
disponíveis, tornando tal estilo extremamente popular em suas comunidades
através da mistura de estilos e do ritmo africano, o samba nascia assim, como
forma de expressão artística popular destas comunidades excluídas e
desamparadas e mal vistas pela dita sociedade de bem.
Neste âmbito cria-se
a primeira composição classificada como, samba a alcançar o sucesso, "Pelo
Telefone" marca o início do reinado da canção carnavalesca. É a partir de
sua popularização que o carnaval ganha música própria e o samba começa a se
fixar como gênero musical.
A revolução de
30 põe fim ao sistema oligárquico da primeira república e instaura o que viria
a ser chamado de “estado novo” ao assumir o poder Getúlio Vargas.
Cria-se a imagem do
malandro do morro, sujeito perigoso, ao qual a polícia deveria reprimir.
O samba nesta nova
era se transforma e suas letras começam a falar de trabalho e lealdade, passando
a partir de então, a ser considerado como uma importante peça na campanha de Getúlio.
A fim de criar o que
seria a identidade nacional oficial, uma passagem que nos mostra bem como a
mídia, alinhada ao projeto governamental, incentivou este “novo samba” limpo e
seguro:
“...foi
Roberto Marinho, então diretor do jornal O Globo, quem patrocinou o desfile das
escolas de samba na cidade, quatro anos depois do inicio desta tradição em 1932 .”
(CUNHA,2004,p.302)
O objetivo era claro,
patrocinar e incentivar o samba, e desta forma, colocar em segundo plano, as
diferenças culturais das diversas regiões do país, criando o sentimento de
patriotismo.
Sendo assim, a ideia de
criar uma identidade, de mostrar o que é o Brasil, ao definir o samba como o
som característico na nação, o transforma em som do Brasil, com o mesmo
reconhecimento interno e externo que a Bossa Nova teria em um futuro próximo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CUNHA, Fabiana Lopes da. Da
marginalidade ao estrelato: o samba na construção da nacionalidade (1917 –
1945). São Paulo: Annablume, 2004
HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL
(VOLUME 4) - Contrastes da intimidade contemporânea

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